As inscrições para o programa de mobilidade ERASMUS+, para o ano letivo 2020/2021, encontram-se abertas até dia 16 de fevereiro. Com o objetivo de dar a conhecer os destinos abrangidos para o curso de Ciência Política e Relações Internacionais, o NECPRI irá publicar uma série de testemunhos dos vários alunos que estudaram fora durante o primeiro semestre.
“Casa” – a palavra e o sentimento de que senti falta tantas (e tantas) vezes, nesta que foi a minha primeira experiência longe de tudo o que era seguro, familiar, conhecido. Não vou mentir – decidir partir sozinha para um país onde a língua tornou cada ida ao supermercado um desafio; um país onde nunca tinha estado e, por isso, não sabia o que esperar; onde teria de partilhar casa com pessoas que não conhecia – foram questões que levantei a mim própria várias vezes antes de fazer as malas. Escolhi a cidade como destino de Erasmus numa noite em que alguém me disse “porque não Budapeste?” – e pensei “e porque não Budapeste?”.
Apaixonei-me pela cidade desde o primeiro dia. De Buda a Peste, não existe um cantinho que não valha a pena conhecer – e que sorte a minha de ter encontrado pessoas incríveis com quem os partilhar. A cidade vale pelos monumentos, pelas paisagens, pela arquitetura, pela cultura, e por todos os lugares a que poderão ir vezes sem conta, mas sentir sempre vontade de voltar. O Danúbio tem o pôr-do-sol mais bonito de sempre. A própria Hungria – no geral – tem muito para oferecer: pequenas cidades onde a grandeza reside nos detalhes.
O passe mensal para estudantes tem um custo de apenas 3450 forints (aproximadamente 11€), e permite-vos usufruir de toda a rede de transportes em Budapeste, desde o metro, os tram’s, os autocarros, e até certos barcos. Os transportes são um ponto muito forte da cidade – são extremamente eficientes e pontuais, e nos meses mais frios são indispensáveis. Por se situar no centro da Europa, conhecer outros países a partir da Hungria é mais fácil, e também mais barato – têm várias opções de transportes, seja de autocarro (Flixbus) ou comboio. Este foi para mim um critério de escolha muito importante, uma vez que me permitiu visitar outras cidades e países regularmente.
A Hungria não pertence à Zona Euro, tendo a sua própria moeda – o forint húngaro. Um grande desafio na hora das compras, devo dizer, visto que 1€ equivale a aproximadamente 300 forints. Contudo, os preços são, no geral, mais baixos do que em Lisboa no que diz respeito às idas ao supermercado.
Arranjar casa foi bastante complicado, pois a maioria dos senhorios procura arrendamento a longo prazo (10 ou mais meses), e a Faculdade não dispõe de residência. Ainda assim, com sites como o Erasmusu e com algumas dicas que vos são dadas pela Faculdade, é possível encontrar um quarto a preços bastante razoáveis – mais baratos do que em Lisboa, na maioria dos casos.
Da Faculdade – Corvinus University of Budapest – tenho apenas aspetos positivos a apontar. Têm uma grande variedade de unidades curriculares por onde escolher, bastante distintas e interessantes, muitas das quais se debruçam sobre a Europa Central e de Leste, e acerca do passado comunista destes países. As aulas são exclusivamente lecionadas em inglês, o que derruba a barreira linguística – podem optar por escolher aprender húngaro, mas acreditem, não será nada fácil (a língua húngara é uma das mais difíceis do mundo, tendo 45 letras de alfabeto). Os professores e coordenadores são muito acessíveis e terão sempre tempo para vos ajudar. As instalações não ficam nada atrás – têm salas e auditórios muito modernos, com ar condicionado e aquecimento central (muito necessário durante o Inverno); wi-fi e uma biblioteca com várias obras disponíveis para consulta, bem como computadores. Fica aqui a dica: se gostarem de estudar em bibliotecas, experimentem a Metropolitan Ervin Szabó Library, especialmente a ala do “Palace”.
Não se esqueçam de experimentar a gastronomia típica húngara, onde o Goulash e o Langós têm destaque, juntamente com a pálinka, e o vinho branco misturado com água com gás. Se ficarão fãs? Não há certezas de nada. Um pequeno conselho: ao comprarem água engarrafada, escolham aquelas que tiverem a tampa cor-de-rosa – ou então, como num caso verídico, irão passar uma semana a beber água com gás até acertarem.
Para ser sincera, apesar de ter sido uma experiência única que me proporcionou vivências que nunca esquecerei, não é justo dizer que foi sempre fácil. Por diversas vezes senti-me desamparada – e por mais que tentasse negar, foi este o sentimento que imperou em certos dias. Foi também um desafio aceitar que algumas das expectativas que levamos podem não corresponder à realidade: é importante lembrarmo-nos de que cada experiência é única e não tem, de todo, de ser igual ou mesmo parecida com qualquer outra – o Erasmus, como tudo o resto, é o que nós fazemos dele. Não quero com isto dizer que devem recear dar este passo, pois uma vez ultrapassada esta fase inicial, aprendi que o que custa realmente é regressar. “Casa” pode tomar diversas formas, e esta será sempre a minha casa longe de casa.
Foi nesta grande cidade, num país entre o centro e o leste da Europa, que deixei um pedacinho de mim, mas que nunca me deixará, e que será sempre em parte minha, por todos os pedacinhos que levo comigo.
Obrigada pela companhia. Até já.
Experiência ERASMUS da Ani Davidova.





