As inscrições para o programa de mobilidade ERASMUS+, para o ano letivo 2020/2021, encontram-se abertas até dia 16 de fevereiro. Com o objetivo de dar a conhecer os destinos abrangidos para o curso de Ciência Política e Relações Internacionais, o NECPRI irá publicar uma série de testemunhos dos vários alunos que estudaram fora durante o primeiro semestre.
Num dos postais que trouxe do meu Erasmus, é possível ler “Prague never lets you go. This dear little mother has sharp claws”. Esta frase, da autoria de Franz Kafka, tem o seu encanto aos olhos de quem lá passou três meses e deixou naquela cidade um pedacinho seu, ao mesmo tempo que acabou por trazer consigo “bagagem extra”!
Foi no dia 19 de setembro de 2019 que tudo começou, embarquei para uma das experiências da minha vida. Estava nervosa com a ideia de sair da minha zona de conforto, mas crente de que desta experiência adviriam inúmeras aprendizagens. A minha mãe acompanhou-me nos primeiros dias, nos quais aproveitei para me ambientar à cidade, que já tinha visitado há cerca de quatro anos. A beleza de Praga é indiscutível. Desde monumentos históricos incríveis, às ruas e praças cheias de vida, até às vistas panorâmicas que deixam qualquer amante de fotografia deslumbrado, a cidade está cheia de recantos por descobrir. O cheiro que se sente pelo centro de Praga agrada, certamente, aos mais gulosos, que podem deliciar-se com um ‘Trdelník’, um doce que (apesar de, segundo locais, não ser típico) se vende muito na zona central da cidade e em outros lugares da República Checa.
Passado um início de estadia mais descontraído, começa realmente a aventura de viver e estudar em Praga. Um dos grandes desafios que sabia que iria enfrentar era a residência da universidade onde fiquei alojada durante o meu Erasmus. Partilhar casa de banho e cozinha durante um período considerável com pessoas que desconhecia era uma completa novidade para mim e nunca pensei que me fosse habituar e adaptar tão facilmente a esta situação. Viver numa residência com outros estudantes, dos mais variados sítios, era uma experiência que eu queria ter em Erasmus, não só para poder pôr as minhas capacidades de adaptação à prova, mas também para conhecer e conviver com pessoas noutro tipo de ambiente. Por vezes é complicado viver num lugar com tanta gente diferente e nem sempre as condições são as melhores, quando comparadas ao conforto de um apartamento, mas eu não trocaria esta experiência por nada.
A meu ver, a residência é uma opção bastante viável, não só para quem não quer gastar muito dinheiro, mas também para quem não quer perder tempo e preocupação em arranjar casa. O dormitório encontra-se numa zona mais residencial, mas muito bem localizada, a cerca de 20 minutos do Aeroporto de Praga, com vários supermercados e serviços por perto e rodeada de espaços verdes. Apesar de não estar alojada no centro da cidade, facilmente me deslocava a qualquer parte, graças a uma ótima rede de transportes (que inclui metro, autocarros e elétricos), usufruindo de um passe extraordinariamente barato.
Quanto à Universidade e ao ensino, posso dizer que no geral fiquei bastante satisfeita. O processo de inscrição nas cadeiras pode ser um pouco stressante, pois estas facilmente ficam sem vagas e nem sempre temos a possibilidade de fazer as cadeiras que mais gostaríamos. Eu acabei por fazer cadeiras diferentes do que estava à espera, algumas com temas sobre os quais não tinha propriamente interesse, mas que me surpreenderam muito pela positiva e que permitiram desafiar-me academicamente. Um dos pontos que não poderia deixar de destacar sobre a Universidade, é o facto de esta promover atividades culturais, como idas ao Teatro Nacional para assistir a um espetáculo de Ópera ou Ballet por um preço ínfimo, algo que considero ser uma oportunidade imperdível.
A juntar a todos os pontos mencionados, a República Checa é um país com vários encantos, sendo que partindo de Praga, facilmente nos deslocamos a outras bonitas cidades. Entre os demais locais que conheci do país, o que mais gostei foi Cesky Krumlov, uma cidadezinha que me deixou fascinada pela sua beleza e por ser diferente de tudo o que alguma vez visitei. Igualmente, a República Checa faz fronteira com vários países, dando-me a possibilidade de ir, por meio de autocarro ou comboio, a diversas cidades europeias como Dresden, Cracóvia, Varsóvia, Viena, Bratislava e Budapeste. As viagens nacionais são extremamente baratas e fazem-se bem indo e voltando no mesmo dia. As viagens transnacionais, apesar de não tão baratas, conseguem-se a preços muito acessíveis, dada a proximidade dos países em questão.
E assim foram passados os três meses do meu Erasmus, entre passeios por Praga, a vida diária académica e viagens. Posso dizer que todos os momentos, mais ou menos positivos, enriqueceram-me e fizeram com que me conhecesse melhor a mim mesma. Praga foi, sem dúvida, o cenário ideal para viver o meu Erasmus. Será para sempre um “até já” a esta cidade!
Experiência ERASMUS da Beatriz Reis.





