ERASMUS: Paris e suas Descobertas

As inscrições para o programa de mobilidade ERASMUS+, para o ano letivo 2020/2021, encontram-se abertas até dia 16 de fevereiro. Com o objetivo de dar a conhecer os destinos abrangidos para o curso de Ciência Política e Relações Internacionais, o NECPRI irá publicar uma série de testemunhos dos vários alunos que estudaram fora durante o primeiro semestre.

Paris is always a good ideia, assim como delimitado por Andrey Hepburn, minha experiência de Erasmus comprovou a frase posterior. Uma cidade que brilha durante a noite e o dia, uma cidade que a cada novo canto te surpreende e demonstra a relevância da historia e da cultura. Uma cidade que por si só já é uma obra de arte. A caminho da faculdade, ao ver o Senna, as pessoas indo e vindo, os museus, as atividades rotineiras, as decorações festivas e os cantores de rua em um metro que remete a época de 1950, te leva a novas dimensões, amplia horizontes e proporciona uma felicidade sem medida.

Paris como qualquer outra cidade tem seus pontos negativos também, como: uma certa insegurança se comparado com Lisboa por ser uma cidade muito maior, um custo de vida muito elevado, alto custo dos transportes, levando a escassez de viagens e claro, muitas e muitas greves no serviço. 

Em relação à Sciences Po, foi de longe uma experiência motivadora que me ofereceu múltiplas visões do mundo, um contato muito maior com diferentes nacionalidades e realidades. A faculdade não só proporcionava cadeiras extremamente interessantes, mas também acabava por nos incentivar cada vez mais a gostar de estudar, o que nos levava, muitas vezes, a aproximar-nos dos professores e das questões redigidas em aula. Os mesmos possuíam uma abertura de contato com os alunos muito mais ampla do que em Portugal, o que permitia não somente bons conselhos académicos, mas também sugestões de vida e carreira. A faculdade em si demandava bastante trabalhos e avaliações continuas, todavia não considerei nada impossível de ser realizado, desmistificando todo aquele mito referente a este assunto. 

Em relação à infraestrutura da faculdade, há pontos muito positivos, como bibliotecas grandes com ampla capacidade, disponibilização de revistas e jornais de todo o mundo, Mac books à disposição dos alunos e, também, associações com centros esportivos que, no meu caso, teve um custo de 80,00 euros para um semestre inteiro de esgrima, no qual eu recebia todo o material necessário. Para além destes, havia também diferentes modalidades de desportes, passando desde futebol por 10 euros por semestre, treinamentos de Ski e equitação. 

Todavia, a faculdade em si comporta muitos estudantes e, devido à sua ótima localização no centro de Paris, muitas vezes o espaço se tornava pequeno, o que causava um certo “caos” na entrada e saída das aulas. Para além disto, em época de verão, as salas são bastante quentes devido à não existência de ar condicionado, ao tipo de construção arquitetónica e ao posicionamento das janelas. Não há um refeitório, somente uma cantina com sanduiches. Todavia, perto da faculdade encontra-se um restaurante estudantil, denominado “Crous”, no qual há um ótimo custo-benefício em relação a refeição completa. 

Relativo ao custo de vida em Paris, é definitivamente caro. No supermercado, o que gastava referente a 2 dias era equivalente a uma semana de supermercado em Portugal. O passe de transporte, tem um custo de 75 euros (Navigo) e, particularmente, acho que quem não mora ao pé da faculdade deve o fazer. No inicio andar na cidade é sempre muito agradável, todavia ao chegar o inverno, de fato, fica muito difícil, e sem um passe de metro acaba “prendendo” a possibilidade de realização de diferentes atividades.

 Já relativo ao aluguel, tive um custo semelhante ao de Lisboa. Todavia, o meu apartamento consistia em um estúdio de 16m no Marais que aluguei através do site da “Uniplaces”. Já em Lisboa, morava em um T1 de 70 metros, no Saldanha, alugado pelo mesmo site e pagava um valor bastante semelhante. Há também outras possibilidades, como a Cité Université, todavia, para quem pretende ficar lá, é necessário pesquisar com muita antecedência, pois é difícil de conseguir uma vaga. A mesma não apresenta as melhores estruturas e também não se encontra no centro “principal” de Paris. Logo, a questão da moradia é de fato um fator crucial para quem busca fazer Erasmus em Paris, pois há muitas dificuldades em encontrar casas. 

Em relação a viagens, não consegui fazer muitas para além de Versalhes e Disneyland, uma vez que o custo dos comboios para cidades perto são bastante elevados. Logo, como o custo de vida já é caro e a faculdade demanda muito esforço, fui impossibilitada de viajar. Todavia, Paris é gigante e a cada dia consegues descobrir algo novo. Portanto, não precisa de viagens para se entreter, basta ir para rua e andar sem rumo que com certeza alguma surpresa irá surgir, para além de que todos os museus são gratuitos para estudantes europeus menores de 25 anos. 

Um balanço geral do meu Erasmus é a possibilidade de dizer que, de fato, não me arrependo de nenhuma maneira minha escolha em relação a Paris. As novas experiências, novos contactos e poder estudar e morar nessa cidade trouxeram-me realizações duradouras. Fatalmente, como já mencionado, ocorreram questões positivas e negativas, todavia, hoje posso, com 100% de certeza, afirmar que Paris tem um pedaço do meu coração. 

Experiência ERASMUS da Catarina Lagemann

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